FATOS POLICIAIS

sexta-feira, 30 de agosto de 2024

FRANCISCO XAVIER DE MIRANDA HENRIQUES

 


FRANCISCO XAVIER DE MIRANDA HENRIQUES

Era moço fidalgo da Casa Real. Fora soldado e Capitão de Infantaria no Regimento do CoronelBrigadeiro Marquês de Marialva, engajado na Fortaleza de Mazagão, na costa marroquina (1719-1738), ali desenvolvendo suas atividades com esmero e desenvoltura: teria realizado façanhas heróicas, segundo CÂMARA CASCUDO (1989, p. 108), enquanto o próprio Dom João V o elogia no corpo de sua patente de nomeação, observando que, nas várias ocasiões de combate com os mouros saíra-se com valor, assistindo e cumprindo as suas obrigações com pontualidade e obediência (citado por VICENTE DE LEMOS e MEDEIROS: 1980, p. 133). Por tais circunstâncias, foi nomeado para o cargo de Capitão-mor da Capitania do Rio Grande – após consulta ao Conselho Ultramarino – em 10 de julho de 1739 (Arquivo Nacional da Torre do Tombo, Lisboa, Chancelaria de Dom João V, L. 95, fls. 227). A 4 de novembro do mesmo ano, já em Pernambuco, registrou sua patente e seguiu para Natal, onde assumiu o posto no dia 18 de dezembro perante o Senado da Câmara reunido no consistório da Igreja Matriz de Nossa Senhora da Apresentação. Contrariou interesses, ao exercer rígido controle na gerência dos recursos públicos. Sua intransigência numa transação de gado, no Apodi, gerou reclamação à Corte, daí advindo uma repreensão e o afastamento do cargo por quatro meses. Retornaria com a mesma firmeza: acusavam-no de proteger pequenos posseiros e ele dizia-se defensor do interesse coletivo, contribuindo para que se desenvolvessem vilas e aldeias. Próximo ao fim de dois mandatos consecutivos (fora designado, conforme a práxis, para uma gestão de 3 anos – ou mais, enquanto não lhe mandar sucessor, determinara El-Rei na patente), fez o Senado da Câmara oficiar, embora já cientificado da nomeação do seu sucessor, nova reclamação à Metrópole, na qual argumentava nos seguintes termos: Temos por notícia que se acha provido Pedro de Albuquerque Melo para capitão-mor desta capitania (...). Diremos à Vossa Majestade que os governadores estarem mais de três anos causa grande descômodo ao povo, porque se afeiçoam a algumas pessoas e por razão destas fazem injustiças, citado por TAVARES DE LIRA (1982, p. 143). Não houve resposta e a política de austeridade prosseguiu. Na verdade, havia sério descompasso entre receita e despesa nas finanças da Capitania, exigindo extrema habilidade administrativa para assegurar um precário equilíbrio orçamentário. As despesas se deviam à manutenção da Fortaleza (equipamentos, artilharia, munição, víveres, etc.) e de forças em todo o território sob a sua jurisdição, além da conservação de vilas e sítios. Missionários religiosos auxiliavam nos rendimentos da Fazenda Real através da coleta de dízimos nas aldeias. Miranda Henriques concedeu várias datas de terra e proveu alguns postos militares em diversas áreas da Capitania. Convém salientar, ainda, que aquela obstinada intransigência prendia-se ao fiel cumprimento do dever pelas responsabilidades assumidas: são unânimes os conceitos de honestidade e de incorruptibilidade de que desfruta, nos relatos da época, desde então atravessando gerações de historiadores sem padecer eventuais questionamentos. Segundo o Barão de Studart, referido por VICENTE DE LEMOS e MEDEIROS (op. cit., pp. 49-50), governou com honestidade e lisura, ficando célebre o seu modo paupérrimo de vida, que o levou a mendigar uma pensão a que fazia jus pelos serviços até então prestados à Coroa. Demais pesquisadores não fogem à regra, prova disso é que, após deixar esta Capitania (30.05.1751) e viajar à Lisboa para justificar ao Rei a posição assumida, governaria seguidamente as Capitanias do Ceará (1755-1759) e da Paraíba (1760--1764). Fixaria residência nesta última, tornando-se proprietário de terras e de considerável rebanho bovino – diz-se. Faleceu no seu engenho “Bolandeira”, em Areias-PB, com idade bastante avançada.

FONTE – FUNDAÇÃO JOSÉ AUGUSTO

FRANCISCO XAVIER DE MIRANDA HENRIQUES

  FRANCISCO XAVIER DE MIRANDA HENRIQUES Era moço fidalgo da Casa Real. Fora soldado e Capitão de Infantaria no Regimento do CoronelBrigade...